betmotion - Expo Favela – betmotion – betmotionhttps://www.wxhxkjgs.comAcesse conteúdos jornalísticos, nos mais variados formatos, focados na informação como aliada das micro e pequenas empresasSat, 02 Dec 2023 21:58:46 +0000pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.2.3betmotion - Expo Favela – betmotion – betmotionhttps://www.wxhxkjgs.com/cultura-empreendedora/criador-da-cufa-diz-que-a-maior-forma-de-combater-a-desigualdade-e-empreender-capacitar-e-empregar-na-favela/Sat, 02 Dec 2023 21:58:46 +0000https://www.wxhxkjgs.com/?p=18872A Central Única das Favelas (CUFA) realiza até amanhã (3), em São Paulo, a Expo Favela Innovation – feira de negócios promovida com a participação de empreendedores estartups de comunidades de todo o país. Com o apoio do Sebrae, foram realizadas ao longo de 2023 etapas em 20 estados brasileiros, onde donos de pequenos negócios foram selecionados para participar da edição nacional.

A betmotion conversou com Celso Athayde, fundador da CUFA, sobre a importância do evento e das empresas das favelas. Confira o bate-papo.

betmotion – Celso, qual a mensagem que a Expo Favela deixa para aquele empreendedor das comunidades que deseja empreender, mas não sabe por onde começar?

Celso Athayde – Eu não sei qual é o desafio de cada um, mas o fato é que todos os empreendedores e empreendedoras de favela têm muitos desafios. Muito maiores dos que enfrenta quem é do asfalto. A pessoa que vive na favela sequer fala as linguagens que eles falam lá no asfalto, como: trade, share, network, stakehold, match.

Aqui na favela o empreendedor fala que “a gente se vira”, “a gente dá o nosso corre”, “dá os nossos pulos”. Mas eu acho que a primeira coisa que a gente precisa fazer é a gente também falar o “asfaltês”. É a gente falar a linguagem do asfalto, porque no fundo somos nós que precisamos encontrar esses fundos de investimento. Nós que precisamos fazer esse match, criar esse encontro com eles.

Inclusive a Expo Favela é isso, é um espaço físico onde a gente pode encontrar essas pessoas. E para isso precisamos falar a língua deles. Então, eu acho que é preciso se capacitar, se formar, procurar – o máximo possível – não reclamar, mas superar, bancar essa superação que a gente precisa.

Eu acho que você que é uma empreendedora, você que é um empreendedor, o mais importante para cada um de nós é entendermos o que a gente faz, ter a nossa proposta efetiva e saber como que a gente pode melhorar a qualidade do nosso negócio e do nosso serviço, para que a gente possa ter excelência. E a partir daí, a gente pode oferecer, em primeiro lugar para os nossos pares, um melhor serviço para que a gente aumente a régua e o grau de exigências dos nossos pares, para – daí sim – a gente pode ter o orgulho de construir as coisas tão nobres como as coisas que a gente sempre admirou.

betmotion – Celso, o que é a favela ser potência para você?
Celso Athayde – A vida inteira sempre se referem a nós como pessoas carentes. Eu nunca achei que nós fomos, algum dia, pessoas carentes. A gente sempre foi potente, porque na verdade o que nós somos é resilientes. A maior prova da nossa potência é aquilo que a gente constrói e que a gente consegue entregar, a partir de onde a gente vem. Então, eu acho que carentes são aquelas pessoas que não são capazes de fazer o que elas sonham. A favela sonha todo dia, realiza todo dia, e eu acho que a potência, pra mim, é essa capacidade de transformação que a gente tem todos os dias.

O empreendedorismo na favela é sobretudo uma ação social, uma ação de relevância, e eu não quero dar cesta básica para ninguém. Eu quero que as pessoas possam ir ao mercado fazer suas compras, a partir daquilo que produziu. Portanto, o empreendedorismo é uma das maiores manifestações que a gente pode ter. Porque eu estou falando não só de dinheiro, mas de renda para uma maior capilaridade de empregabilidade. A partir da gestão dessa renda, da geração dessa riqueza, da democratização dela, a gente vai estar combatendo a desigualdade. Por isso eu acho que a maior forma de você combater a desigualdade é você empreender, capacitar e empregar neste território.

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betmotion - Expo Favela – betmotion – betmotionhttps://www.wxhxkjgs.com/cultura-empreendedora/empreendedorismo-popular-e-sonho-nas-favelas/Fri, 03 Nov 2023 13:09:58 +0000https://www.wxhxkjgs.com/?p=18069Cerca de 5,2 milhões de empreendedores. Essa é a quantidade de donos de pequenos negócios que vivem nas mais de 13,5 mil favelas de todo o país. Os dados fazem parte da pesquisa Data Favela 2023. O levantamento também observou que o maior sonho profissional para 35% das pessoas que vivem nessas comunidades é abrir o próprio negócio. Neste sábado (4), quando é comemorado o Dia da Favela, o Sebrae ressalta o seu papel na capacitação e estímulo ao empreendedorismo nessas regiões que reúnem cerca de 18 milhões de habitantes.

Trabalhamos, em todo país, com o empreendedorismo popular com projetos de inclusão produtiva. São ações efetivas que permitam que essas famílias possam superar as dificuldades. Dessa forma, com geração de emprego e renda. É preciso criar oportunidades para que se tornem ativamente produtivos e capazes. O Sebrae atua para que a população que está na favela também realize o seu sonho de empreender.

Décio Lima, presidente do Sebrae Nacional.

Neste ano, o Sebrae realizou diferentes edições locais da Expo Favela, uma feira de negócios que reuniu e deu visibilidade para empreendedores e startups das comunidades. Além disso, esse foi um espaço para tirar dúvidas sobre formalização e regularização do Microempreendedor Individual (MEI), precificação, gestão do tempo e planejamento, entre outros temas. “Em um evento com esse porte, conseguimos apresentar e conhecer novas empresas e ter contato com empreendedores de diferentes comunidades”, comenta Anderson Marcelo, empresário da Delivery de Favela, do Rio de Janeiro.

“Os empreendedores de favelas são sedentos por oportunidades para alavancar seus negócios. Em todas as atividades do Sebrae houve uma rotatividade alta porque esses empresários estavam em busca de conhecimento”, explica Carla Panisset, coordenadora de Empreendedorismo Social do Sebrae Rio.

Na cidade carioca também é realizado o projeto Comunidade Sebrae, que está atualmente em 18 favelas, totalizando mais de 100 comunidades. Já são mais de 41 mil atendimentos com foco em oferecer oportunidades para uma economia competitiva, inclusiva e sustentável.

Na Rocinha, Carlos Pedro fundou a Carteiro Amigo. Crédito: Sebrae.

O empresário Carlos Pedro da Silva, um dos fundadores da empresa Carteiro Amigo, conta que há 21 anos trabalha com o Sebrae no Rio de Janeiro. A empresa é responsável pela distribuição e digitalização de postagem e entregas nas favelas da capital carioca. “Com a orientação do Sebrae, conseguimos otimizar o tempo, o espaço, conseguimos mudar o local da loja. Tudo isso representou uma grande mudança na rotina do nosso negócio”, destaca.

Além disso, com a experiência de conhecer as principais dificuldades de quem empreende em favelas, o Sebrae Rio também promoveu o programa gratuito Top Empreendedor. Por meio de capacitações e consultorias, os participantes conheceram práticas do mercado para aprimorar a gestão do negócio.

Projeto Ully, ação social no Morro das Pedras, em Belo Horizonte. Foto: ASN/MG.

Projetos sociais e Jornada empreendedora

Saindo das ações para as comunidades cariocas, o Sebrae também atua no Morro das Pedras, da Região Oeste de Belo Horizonte. Por lá, as empreendedoras locais criaram a “Barbie” do morro. Essas mulheres fazem parte do projeto Ully – uma ação social que incentiva o empreendedorismo feminino na comunidade com o apoio do Sebrae Minas. A iniciativa, que oferece cursos e oficinas de panificação, costura, crochê, beleza e estética, foi apresentada na Expo Favela Minas.

“Queremos prepará-las para que possam ser donas de suas próprias vidas, sejam mais independentes e ganhem autoestima para que sigam em frente, criem seus filhos e tenham uma opção de sustento para suas famílias”, explica Eliete Jesus dos Santos, idealizadora do projeto que transforma a vida de 800 mulheres.

O grupo Famílias Empreendedoras do Bairro Coqueiros, também na capital mineira, que atende 40 moradores das comunidades da região Noroeste, foi outra que recebeu atenção do Sebrae Minas. Carmen Lúcia de Matos Barcelos, idealizadora do grupo, passou pela Jornada Empreendedora e junto a outras quatro mulheres, criou uma feira de expositores sempre no segundo domingo do mês. “As orientações ajudaram a ampliar minha visão sobre os negócios e de como poderia transformar o lugar onde moro desde 1976”, explica Carmem.

O professor Miltinho Souza, da comunidade Cabana do Pai Tomás, na região Oeste de Belo Horizonte, é outro que foi capacitado por meio da Jornada Empreendedora. Antes atuando como professor particular, hoje ele treina docentes recém-formados e estudantes da comunidade, ensinando sua técnica criada a partir da experiência que teve em estudar com a filha. Com o Sebrae ele recebeu orientações sobre planejamento, marketing digital, precificação e atendimento ao cliente, além de consultorias individuais para estruturação de um novo modelo de negócio.

Agora, além das aulas e para estimular o empreendedorismo na comunidade, Miltinho também teve a ideia de comercializar, no local onde ensina, produtos feitos pelos pais dos alunos. “A gente aprende ensinando. Meu objetivo é ajudar as pessoas que têm dificuldade com a matemática, por exemplo, para que aprendam e possam ensinar. Além disso, por meio de parcerias estratégicas, conseguimos também oferecer novas oportunidades e expectativas de vida para os moradores da comunidade”, justifica o professor.

A programação da Jornada Empreendedora, criada em 2019, inclui seis palestras sobre os temas: como se tornar microempreendedores individuais (MEI), vantagens da formalização e do cooperativismo, como potencializar as vendas pelas redes sociais, controle financeiro, fluxo de caixa, precificação de produtos, criação de modelos de negócios e como melhorar o atendimento e fidelizar clientes.

Projeto Mães da Favela SEBRAE

OProjeto Mães da Favela foi criado pela Central Única das Favelas (CUFA) e tem o apoio do Sebrae. O objetivo é levar renda e auxiliar todas as mães “solo” que vivem nas favelas dos 17 estados do Brasil e do Distrito Federal.

O Sebrae apoia a iniciativa e está aqui para te ajudar a transformar a sua realidade por meio do conhecimento e do empreendedorismo. Preparamos uma série de conteúdos e cursos gratuitos selecionados especialmente para que você em frente o desafio de ter o seu próprio negócio!

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